Na prisão do meu ser Sufoco minhas vontades No castigo da castidade Enterro a vontade, o querer Sou um ser em aflitos O pensamento faz-me pecar Arrependo-me e vou orar Minha mente está em conflitos Amostra gratis do sofrimento É evidenciado no momento Que revelo meu desejo Consciência acusa o cortejo Dificultando o ensejo E sigo no meu tormento Marcos França Imagem (Quadro pintado pela artista Dináh) |
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Consciência acusadora
Morreu o homem quando pecou... Mas eis Jesus
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Fruto da árvore do saber, Que a curiosidade aguçou. Serpente possuída por Lúcifer, Enganou a mulher, Que induziu o homem. A nudez veio a tona, E a vergonha acompanhou. Arrependimento da culpa, Que o poder ofertou. Um cálice da desobediência, Derrubou a perfeição do ser. Rastejará o mais belo dos belos, Sofrerá a mulher ao parir, Viverás do suor do seu rosto, O homem e as gerações por vir. Convidado a se retirar, Deixou o homem o paraíso, Carregando um fardo que muito pesa, Pois o pecado tirou seu norte, E de salário lhe deu a morte. Mas a vida pertence a Deus, Cristo a trouxe em abundância, É preciso o homem acreditar, Pois é a unica esperança... Marcos França Imagem Web |
quinta-feira, 11 de novembro de 2010
A cegueira
Ah essa cegueira!
Cegueira que lhe custa à vida.
Que lhe faz chorar,
Principalmente nas madrugadas,
Às escondidas.
Ah essa cegueira!
Cegueira que lhe furta os sonhos.
Que deixa-o frustrado,
Abatido, tristonho.
Para onde vai esse ônibus, motorista?
Olha para a carta que nunca leu.
Equilibra-se em corda bamba,
Em seu mundo é um artista.
Mas lamenta as chances que perdeu.
Só sei que nada sei,
Perdeu porque não viu,
Não viu porque não leu,
Não leu porque não escreveu.
Ah pobre diabo!
Somente fala em seu dialeto,
Vive exilado neste deserto,
Sem saber se esta longe ou perto,
Na cegueira de ser analfabeto...
Marcos França
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
Apenas uma vida
No café água doce,
Esquentado sobre a lenha.
Um sofrimento precoce,
Que o futuro desenha.
Adeus mãe, adeus pai,
Muito cedo o deixaram.
Saudades que o tempo atrai,
Momentos que o amaram.
Partiram sem avisar,
Nem dele se despediram.
E muito fizeram calar,
Aquele sorriso menino.
Criado foi pelo mundo,
Roubou em nome d fome.
Apanhou como vagabundo,
Formou-se em ser homem.
Um dia chegou o amor,
E assim como veio se foi.
Era a mais linda flor,
Mas o destino separou os dois.
Novamente ardeu-lhe o peito,
E a vida lhe pôs a sofrer.
O que de errado teria feito?
Pensou! Talvez fosse nascer.
Beijou o sol na manhã,
E a lua quando anoiteceu.
Sentiu sua vida vã,
Fruto que já morreu.
Conformado com seu destino,
Sentiu que este é sofrer.
Ironia de um desatino,
Segue vivendo por viver.
Marcos França
Imagem ( Quadro pintado por mestre Maldonado)
domingo, 24 de outubro de 2010
Vida no Semáforo
Verde, amarelo, vermelho,
Uma moeda seu moço?
Sim, não, um conselho?
Alma no fundo do poço!
Cara suja cabelos sebosos,
Implora o menino nos carros.
Vidros fechados, intocáveis receiosos,
Amaldiçoado unipresente descaso.
No alto três luzes celeste,
Ascedem, apagam, eis a esperença.
Vermelho em boa hora vieste,
Para estender a mão a uma criança.
Ao ascender o verde,
Faz-se trocar os clientes.
Escalda o sol, suor, calor e sede,
Na chuva gripe e febre ao inocente.
No amarelo forçam passagem,
Pois o tempo é dinheiro.
Não percebem a dolorosa paisagem,
Um pobre menino em desespero.
O mundo já te condenou,
Filho do crack em mãe precoce.
Opção, a vida te ofertou?
Deram-lhe fél, para que esta adoce.
Por entre os carros foi prensado,
Suspirou profundo e agonizou.
Seu corpo na avenida deitado,
Morte que ninguém notou...
Marcos França
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